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O IMPOSTO INVISÍVEL

O sistema tributário brasileiro passa por mudanças relevantes, mas a falta de compreensão sobre impostos limita o impacto da reforma na percepção e na capacidade de cobrança da população

por Leonardo Piccinini

Em 2025, a carga tributária bruta (CTB) brasileira foi de 32,40% do PIB.

Ainda assim, a sensação dominante da população é de retorno insuficiente. 

No centro desta contradição está um fator menos visível: o brasileiro não sabe quanto paga nem consegue identificar para onde vai o dinheiro.
Sphere on Spiral Stairs

"O sistema atual é marcado por distorções profundas"
Nilson Fernandes

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Exibição do mercado de ações

Nilson Fernandes

Auditor fiscal e diretor de Comunicação, Cidadania e Cultura do Sindicato dos Fazendários do Ceará (Sintaf).

 

Explore a pesquisa sobre o imposto invisível no Brasil. Entrevistamos Nilson Fernandes, diretor do Sindicato dos Fazendários do Ceará (Sintaf), para entender a falta de clareza sobre os tributos que pagamos e como a Reforma Tributária pode virar o jogo da desinformação.

Notas 50 reais
Contas em dólar

Fernandes cita que os BENEFÍCIOS FISCAIS, muitas vezes concedidos a setores que não necessitam de incentivo para sobreviver, convivem com uma estrutura em que a população de menor renda paga proporcionalmente mais impostos do que os mais ricos.

“Há situações em que os ‘amigos dos reis’ recebem vantagens que outros não têm. Ao mesmo tempo, a população mais rica paga, em média, menos de 10% da sua renda em tributos, enquanto os assalariados chegam a cerca de 27%”, afirma o diretor.

Close-up de um dólar

A ausência de regulamentação de instrumentos como o IMPOSTO SOBRE GRANDES FORTUNAS, previsto na Constituição, reforça esse desequilíbrio. 

 “Talvez isso não avance porque parte do Congresso Nacional está diretamente inserida nesse grupo e não tem interesse em legislar contra si”.

Nilson Fernandes

Pilha de jornais

A POLÍTICA DE DESINFORMAÇÃO

“O brasileiro não sabe quanto paga. Existe uma política de desinformação e pouco interesse em mudar isso”
Close-up de um rosto gravado

A Reforma Tributária aprovada até agora soluciona apenas parte do problema.

 

O foco está na reorganização da cobrança sobre consumo, com a substituição de tributos por um modelo mais unificado.

 

Questões estruturais, como a tributação sobre renda, patrimônio e heranças, ficaram de fora.
 

“A reforma foi feita em partes. E a parte que pode trazer mais justiça fiscal ainda não foi regulamentada. Além disso, o período de transição previsto pode chegar a décadas, o que dificulta qualquer percepção imediata de mudança. Não será possível comparar antes e depois de forma clara. É um processo longo, com idas e vindas”, ressalta Fernandes.

arranha-céus

Mudança de Percepção

A expectativa é que mudanças nos preços e na forma de cobrança levem o cidadão a perceber o peso dos tributos de maneira mais direta.

Muitas notas de dinheiro

Sem tradução acessível e sem mecanismos que conectem arrecadação e gasto público, a reforma corre o risco de apenas reorganizar a cobrança sem alterar a relação do cidadão com o imposto.

“As pessoas vão sentir no bolso e vão querer entender o que está acontecendo. Isso abre espaço para mais transparência”

Skyline urbana

RISCOS

A combinação de transição longa, comunicação limitada e baixa participação popular cria um cenário ambíguo.
Moedas

EDUCAÇÃO FISCAL

Fernandes salienta que a iniciativa não resolve por si, mas desperta. “Pegar alguém que já tem todos os vícios de muitos anos de vida, já acostumada a muitas coisas e conscientizá-la é muito mais difícil”.

Sobre o autor:

Meu nome é Leonardo Piccinini.

Estudante de Jornalismo com experiência em audiovisual, redes sociais e jornalismo multiplataforma. 

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